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Responsabilidade no trânsito também é nossa responsabilidade


Há cerca de dois meses e meio, uma iniciativa tem mudado os hábitos de muitos motoristas em todo o país. A novidade é a Lei 11.705, que altera o Código de Trânsito Brasileiro e reduz a “zero” a tolerância do consumo de qualquer quantidade de bebida alcoólica por parte dos motoristas. A “Lei Seca”, como tem sido chamada, prevê maior rigor contra o motorista que ingerir bebidas alcoólicas. Agora, quem for flagrado dirigindo depois de beber pagará multa de R$ 955 e vai perder a carteira de motorista por um ano. O infrator pode ainda ter o carro apreendido e ser preso.
Os resultados obtidos desde a promulgação da lei, no dia 19 de junho, são expressivos. Em um mês, o atendimento a vítimas de acidentes de trânsito caiu 55% na cidade de São Paulo, segundo revela levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde, com base em dados dos três principais hospitais estaduais que são referência em trauma. Para os especialistas, o índice mostra que o consumo de álcool era a principal causa dos acidentes de trânsito, principalmente os ocorridos nos finais de semana.
Apesar da queixa daqueles que gostam de beber e depois dirigir, a lei mostrou que salva vidas e permite que bombeiros e hospitais priorizem outros atendimentos. Porém, ser um motorista responsável não significa respeitar apenas a “Lei Seca”, mesmo que seja pelo medo da multa. Existem várias outras normas de trânsito importantes que precisam ser observadas. Somente assim será possível contribuir para a paz no trânsito.


Álcool e direção, uma combinação que pode ser fatal

Conduzir sob efeito de bebida alcoólica, segundo as leis em vigor, é um ato criminoso. Apesar disso, mais de 50% dos acidentes de trânsito no Brasil ainda envolvem alguém que tenha consumido bebida alcoólica. Infelizmente, a maioria das pessoas que dirigem alcoolizadas acredita que está bem, com reflexos e reações normais. Isso ocorre devido à falsa sensação inicial de leveza e bem estar que o álcool proporciona.
O álcool induz os motoristas a fazerem coisas que normalmente não fariam, seja por excesso de confiança ou pela perda da noção de perigo e respeito à vida. Dentre os principais efeitos do álcool no organismo estão a diminuição da coordenação motora, visão distorcida – dupla e fora de foco, raciocínio e reações lentas, falta de concentração, diminuição ou perda do espírito crítico.
Os comportamentos mais perigosos no trânsito, provocados pelas bebidas alcoólicas, são o excesso de velocidade, as manobras arriscadas, a avaliação incorreta de distâncias, os erros visuais com desvios de direção, os erros por reações fora de tempo ou atrasadas e perda do controle da situação. É por tudo isso que direção e álcool não combinam!

Dicas de segurança no trânsito

• Freadas: nunca freie sobre poças d’água. Se for inevitável, alivie o pedal rapidamente para que as rodas não travem. Cuidado ao frear, principalmente quando há caminhões na sua traseira. Evite freadas bruscas e mantenha distância segura do carro da frente.
• Viagens longas: descanse bastante antes de pegar a estrada. Se possível, viaje acompanhado por alguém que possa revezar com você a direção. Não beba nem tome qualquer remédio que interfira em seus sentidos. Não dirija por muitas horas e faça paradas regulares, mesmo que você não esteja cansado. Faça uma revisão cuidadosa nos principais itens de segurança do veículo como freios, pneus, parte elétrica e direção.
• Acidentes: ao passar por um acidente, antes de prestar qualquer socorro, respeite sua própria segurança. Se houver outras pessoas ajudando no local, siga em frente e avise a autoridade mais próxima, como a Polícia Rodoviária. Não mexa nas vítimas e nem permita que outros as removam. Aguarde o socorro especializado.
• Ultrapassagens: nunca ultrapasse pela pista da direita. Antes da ultrapassagem, certifique-se de que você tem visão total da rua ou estrada e não esqueça de olhar também os retrovisores. Anuncie por meio dos sinais convencionais, como luzes e setas, sua intenção de ultrapassar. Nunca ultrapasse em trevos, lombadas, curvas e passagens de nível ou onde a faixa que divide as pistas seja contínua.
• Dirigindo na chuva: redobre a atenção, pois é possível que ocorram deslizamentos e quedas de barreiras na estrada. Nas cidades, a água da chuva pode esconder buracos e causar acidentes. Reduza a velocidade a um limite seguro e mantenha ligados os limpadores de pára-brisa. Evite freadas fortes.
• Cuidado com os animais: ao se deparar com animais, sejam de pequeno ou grande porte, não buzine nem sinalize com os faróis. Isto assusta o animal, que pode ter reações inesperadas. Procure passar em marcha reduzida pelo local. Nas estradas, avise o posto policial mais próximo.
• Viajem com crianças: crianças com menos de 10 anos de idade devem sempre ser transportadas no banco de trás, atadas aos cintos de segurança ou acomodadas nas cadeirinhas apropriadas. Bebês, mesmo os recém-nascidos, não devem viajar no colo de suas mães. As crianças de colo até um ano de idade devem ficar nas cadeirinhas fixadas de costas para o sentido do carro. Após essa idade, a cadeirinha pode ficar na posição normal. Caso a cadeirinha não ofereça mais proteção à nuca da criança, devido a seu crescimento, é hora de colocá-la direto no banco, presa pelo cinto de segurança.
• Cinto de segurança: a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança é para todos os ocupantes dos veículos, independente da via que esteja sendo usada. Mantenha os cintos sempre em bom estado e nunca os deixe enrolados ou dobrados, para não reduzir sua eficiência. O uso de cinto de segurança no banco de trás também é obrigatório.

Cuidado com os motociclistas!

O número de motocicletas tem crescido nos grandes centros urbanos. Trata-se de um veículo que exige cuidado redobrado dos motoristas. Para evitar acidentes, mantenha uma distância segura das motos. Tome cuidado com as conversões à esquerda e à direita, pois os motoqueiros costumam transitar nos “pontos cegos”. Confira, pelos retrovisores, o que se passa atrás de seu carro, constan-temente. Tenha cuidado ao abrir as portas do veículo quando estiver estacionado ou parado em congestionamentos e cruzamentos. Quando passar por uma moto, tenha os mesmos cuidados habituais nas ultrapassagens de veículos.
Já o motociclista deve sempre usar os equipamentos de segurança, como capacete, viseira, luvas, botas e roupa adequada. É fundamental manter a moto em perfeito estado. No trânsito, se possível, mantenha um espaço de segurança à sua volta, equivalente ao espaço de um automóvel. Tenha cuidado com motoristas distraídos. Seja previsível, sinalizando sua presença e certificando-se de que está sendo notado, por ser pequeno e difícil de ser percebido. Para isso, deixe o farol baixo ligado, mesmo de dia.

   
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